The Office da Vida Real
Quando acaba a estratégia e começa o desespero?
Tem dias que eu olho pro que tá acontecendo no marketing e sinto que tô assistindo um episódio de The Office...
só que versão Brasil
sem roteiro e com budget de milhões
Sério.
Alguém pode me explicar o que exatamente tá acontecendo?
Porque, de um lado, tem empresa nomeando influenciador como se fosse cargo corporativo real.
Do outro, tem todo mundo fingindo que aquilo faz total sentido
tipo reunião onde alguém fala “head de atitude” e geral só concorda balançando a cabeça, mas por dentro tá um Jim olhando pra câmera.
E eu não tô nem dizendo que é errado, tá?
Só parece… uma grande piada corporativa que todo mundo decidiu levar a sério.
Qual é a lógica aqui?
É alcance? É buzz? É pegar emprestado o branding da pessoa e colar na empresa como se fosse um Ctrl+C / Ctrl+V de percepção?
Pergunta honesta mesmo.
Porque pra quem tá fora ou até pra quem tá dentro, mas ainda tem um mínimo de senso crítico muita coisa soa meio sketch de sitcom mesmo
Tipo: em que momento um cargo virou peça de campanha?
E não dá pra ignorar resultado, óbvio.
O vídeo do Toguro com a Cimed bateu bilhões de views. É número que qualquer mídia planner sonha. Então não é sobre “não funciona”.
Funciona.
Mas… funciona como estratégia ou como episódio viral?
Porque são coisas bem diferentes.
Eu já mergulhei fundo nesse tema. Estudei e trabalhei com marketing de influência por um bom tempo, analisando performance, métricas, construção de percepção.
Não é um assunto raso pra mim.
Talvez por isso a sensação fique ainda mais estranha.
Porque às vezes parece que a gente, no marketing, entra em certas tendências igual personagem de sitcom entra em plano ruim: empolgado no começo, sem entender muito bem onde aquilo vai dar, mas confiante o suficiente pra seguir até o final.
E eu falo isso me incluindo totalmente.
Já fiz movimento assim também.
A diferença é que hoje eu paro e penso: isso aqui é estratégia… ou é só um momento “Michael Scott aprovando ideia ruim achando que é genial”?
No fim, minha dúvida continua a mesma:
Alguém que tá dentro dessas decisões consegue explicar qual é o racional real por trás disso?
Ou a gente só tá vivendo o The Office da vida real e aceitou?



